sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Melhores dias virão

O que quero dizer é que tenho dito pouco ou nada, simplesmente por que não tenho ganas.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Homenagem a Luiz Pacheco

freak slide show

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Fosses tu...

sábado, 14 de outubro de 2006

Sinistralidade na estrada: uma solução

Uma solução – com resultados garantidos – para pôr cobro à sinistralidade rodoviária causada pelo excesso de velocidade, seria a instalação de uma montanha-russa em cada capital de distrito com acesso gratuito. Antes de se meter à estrada, o povo, principalmente a malta mais jovem, poderia despejar ali toda a adrenalina (e quiçá o estômago). Depois destas alucinantes viagens, os condutores ficariam provavelmente muito mais calmos (quanto mais não seja pelo enjoo), podendo assim fazer uma condução moderada e responsável.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Uma questão óbvia

Corre no Porto uma polémica por causa das obras de recuperação da Igreja do Clérigos. É que as ditas obras são patrocinadas por uma conhecida marca de cervejas – a Sagres Boémia. Pelo que os tapumes de protecção são imensos outdoors com publicidade à cerveja. Ora, eu vejo-me moralmente obrigado a colocar-me ao lado de todos os cidadãos invictos indignados com tal blasfémia. E vou ainda mais longe: proponho que se faça um abaixo-assinado exigindo justiça. Patrocínio sim mas da Super Bock… Abadia. Obviamente.

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Portugal no seu melhor

Padre ameaçou não enterrar guardas por ser multado

Os militares da GNR de Valpaços que precisem de recorrer aos serviços do pároco local nos próximos tempos poderão ter em mãos um grave problema. Pelo menos, se o padre Manuel Alves cumprir a ameaça que terá feito. Desde o púlpito e perante dezenas de fiéis. Irritado por dias antes ter sido multado, o sacerdote terá aproveitado a missa de há quase três semanas para anunciar o “corte de relações” com as autoridade e comunicar que, a partir de agora, os GNR’s, e seus familiares, não poderiam contar com ele nem mesmo para funerais. No posto da Guarda, a situação é motivo de chacota. “Depois de mortos tanto nos faz, que nos embalsamem e que nos ponham aqui no quartel!”, comentou, ao Semanário TRANSMONTANO, um militar, em tom de brincadeira. Sobre o assunto, do padre Manuel Alves, o Semanário TRANSMONTANO conseguiu apenas ouvir insultos e ameaças: “Vai ganhar a vida para outro lado! jornalistas de merda!”, foram as respostas do pároco, que, completamente irado, referiu ainda: “Não te autorizo a escrever nada e se o fizeres vais-te ver comigo!”. “Não falais vós da minha obra!”, concluiu o pároco, em tom alterado.Ao que o Semanário TRANSMONTANO conseguiu apurar, esta não terá sido a primeira vez que o padre foi multado. E o local será sempre o mesmo. Um pequeno largo junto à Igreja, onde foi proibido o trânsito e o estacionamento, depois do espaço ter sido requalificado pela Câmara. No local, são apenas autorizadas cargas e descargas. Aliás, Manuel Alves terá sido um fervoroso adepto da proibição do estacionamento naquele espaço.“Ele é um cidadão como outro qualquer. E não tem nada que ir para a missa pôr a população contra a GNR!”, comentou, a propósito, uma valpacense, que preferiu não ser identificada. “Sabe como é, a gente está sempre a precisar!”, justificou. “Por que é que ele não pede à Câmara uma placa para poder lá estacionar. Enquanto não a tiver nós só fazemos a nossa obrigação: cumprimos o que diz o código da estrada”, concluiu outro militar, também, sob anonimato.


Esta notícia – absolutamente deliciosa – vem no “Semanário Transmontano” de hoje.

Mas o padre Manuel Alves é um poço cheio de talento. Também as questões políticas não lhe passam ao lado: para atingir “inimigos” como o ex-presidente da República, Jorge Sampaio, não hesita em usar o púlpito. E mesmo quando se trata de elogiar “amigos” como Cavaco Silva”, é ao altar que recorre…

Leia a notícia na íntegra aqui.

Só vejo uma razão para este comportamento anómalo: o senhor prior está possuído pelo demónio. Aconselho vivamente os fiéis de Valpaços a contratarem um exorcista. Remédio santo.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Descubra as diferenças

domingo, 6 de agosto de 2006

Descubra as diferenças

Descubra as diferenças

sábado, 5 de agosto de 2006

Charlie 2


Como diria a Bomba Inteligente, eu hoje acordei assim...

Charlie 1


Chama-se Charlie mas é uma gata.
Charlie, cumprimenta as pessoas!

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Descubra as diferenças

Finalmente o infinito


Encontrar-nos-emos no infinito...

Miranda do Douro marca VI

Miranda do Douro marca V

Reflexos

Salamanca marca IV

Miranda do Douro marca IV

Miranda do Douro marca III

Miranda do Douro marca II

Miranda do Douro marca I

sábado, 29 de julho de 2006

O Duelo

A ideia surgiu-me enquanto lia o Expresso. A solução do conflito do Médio Oriente passa por Portugal. A comunidade internacional, cansada dos habituais interlocutores, concordará em buscar na opinião letrada portuguesa novos representantes das partes em conflito. Confrontados com tão feliz oportunidade, judeus e árabes aceitam, por certo, que dois cronistas conhecedores do conflito (e de tendências opostas, bem marcadas semanalmente nas páginas do jornal de Paço de Arcos) decidam sobre a forma de acabar com tão teimosa guerra. A esperança, a tão desejada paz, estará agora à distância de um tet-a-tet. E no dia, no local e à hora marcada, lá estarão… Daniel Oliveira e João Pereira Coutinho. Com uma fisga e uma Magnum 45, respectivamente.
Carlos Chaves

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Sonhos de criança


[Nélia]

Quando for grande quero ter uma tatuagem assim. Assinada pela autora.

Salamanca marca III

domingo, 18 de junho de 2006

Salamanca marca II

Salamanca marca I

EPC

Na sua última crónica do Público, antes de viajar para Macau, Eduardo Prado Coelho vê-se a braços com uma praga de borboletas. A propósito destas, afirma serem os seus obsessivos coleccionadores “normalmente espíritos perigosos, capazes de raptarem jovens adolescentes”. Eu não me considero um coleccionador, muito menos obsessivo, de borboletas, mas já várias vezes me maravilhei com os espantosos cromados e com a graciosidade do insecto alado. Correrei, eventualmente, o risco de me transformar num raptor de jovens adolescentes?

Carlos Chaves

Saramago

José Saramago, que participou na homenagem a Vasco Gonçalves, no primeiro aniversário da morte deste, disse não ter restado rigorosamente nada do 25 de Abril.
Lamento ter de discordar. Talvez sejam os últimos, mas ainda há cravos num jardim da minha aldeia.
Carlos Chaves

O barómetro

Chama-se História Trágica Com Final Feliz o filme de Regina Pessoa que, no 10 de Junho, dia de Camões, venceu o Grande Prémio Curtas-Metragens do Festival de Annecy, 2006, “o mais importante festival de cinema de animação do mundo”. Antes deste, a película já havia conquistado outros prémios (nacionais e internacionais), embora tenha recebido uma nega por parte do Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimédia (ICAM). Também o último projecto da realizadora, Kali, O Pequeno Vampiro, mereceu por parte deste Instituto a mesma atenção.
É previsível, portanto, que Regina Pessoa esteja optimista quanto ao sucesso de Kali, O Pequeno Vampiro.
Um pequeníssimo trecho pode ser visto aqui. Para saber mais clique também aqui.
Carlos Chaves

A liberdade conquista-se

Mas lutando por ela...

sábado, 27 de maio de 2006

O caminho das estrelas

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Coisas da bola


Eu sei que é terrível. Mas, sempre que vejo esta bandeira, as primeiras imagens que me vêm à cabeça são as fuças de Scolari, de Figo e de Cristiano Ronaldo.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

O Capuchinho Branco



"O Capuchinho Branco" é o título da música de Vítor Lamas, que se ouve de fundo. O filme retrata a história do tal capuchinho. Qualquer semelhança com a “outra” história é pura coincidência. Os "actores" são, por ordem alfabética: Mariana Dias e Paulo Aguiar. O narrador sou eu próprio. A minha voz é inconfundível.

Estas coisas começam a tornar-se rotina


Erwin Olaf, fotógrafo holandês que a Periférica (na edição n.º5) deu a conhecer em Portugal, ganhou mais um prémio internacional.

terça-feira, 23 de maio de 2006



Esta peça (da qual se pode ouvir um pequeno trecho) faz parte de um trabalho dos Tostamistas, tendo como convidados a Paula Pestana (violino) e o Carlos Mourão (bateria).
O trabalho, o segundo do grupo, que se chama "Septeto de Verão", foi concebido, orquestrado, interpretado e gravado em simultâneo.

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Equívocos ou distracções?

O Público de domingo trás para a primeira página a notícia de que "são sete os animais que forçaram a construção de um viaduto de um quilómetro em Vila Pouca de Aguiar, na A24", cujo título é «Alcateia de lobos obriga a gastar mais 100 milhões em auto-estrada».
Sobre isto, apetece-me dizer duas coisas.
A primeira: o título não só é sensacionalista como é absolutamente despropositado. Não se trata, obviamente, de proteger estes sete animais em concreto, mas sim assegurar a sobrevivência da espécie, salvaguardando todo um ecossistema, do qual o lobo faz parte. O que é substancialmente diferente (sobre o assunto, o Rui A. Araújo escreve isto)
A segunda: a determinada altura, diz o autarca de Vila Pouca de Aguiar que “está por provar cientificamente” que o Fojo do Lobo “é sítio de procriação dos animais". Lobos naquela zona, népia. Ora, este e um argumento fraco e descabido, mas que é usado com alguma frequência, não só pelos autarcas, como por uma parte da população. Com a mesma ligeireza, já ouvi precisamente o argumento contrário. Quando, por vezes, aparecem algumas ovelhas mortas na serra, de imediato vêm a terreiro asseverar com toda e veemência que foram os lobos os responsáveis. E não esqueçamos que ainda há o subsídio por danos causados pelo afamado bicho.
E, se a zona em questão fosse uma reserva de caça, qual seria a atitude dos contestatários do viaduto?

sábado, 20 de maio de 2006

Como o milho

Uma coisa ninguém pode negar. A Margarida Rebelo Pinto é escritora. E é boa.

E se um desconhecido de repente lhe oferecer flores?

No DN de ontem, Miguel Sousa Tavares dizia que ninguém sabe quem é João Pedro George. Para quem não saiba, Miguel Sousa Tavares é filho da poetisa Sophia de Mello Breyner.

quarta-feira, 17 de maio de 2006

A confirmação



Ricardo Leite venceu o Prémio Revelação de Pintura da Caixa Geral de Depósitos.
A Periférica publicou um portefólio deste artista plástico no n.º 10. Como diz o Fernando, “para nós não é uma revelação, é uma confirmação”.

domingo, 14 de maio de 2006

"Desce o nível da decência e subirás na audiência"



A revista Meios & Publicidade elegeu José Eduardo Moniz [JEM] como “personalidade do ano”. Que teve o mérito de conseguir, ao longo de 2005, manter a TVI com o maior índice de audiências dos canais generalistas.
Do meu ponto de vista, esta escolha baseia-se em alguns equívocos. É um erro de palmatória. Senão vejamos.
Não tenho dúvidas que, qualquer canal – querendo – subiria o nível de audiências amanhã mesmo. É muito simples, e nem sequer precisaria de ter à cabeça um programador muito talentoso. A estratégia resumir-se-ia a três ou quatro pontos-chave: transformar os noticiários em espectáculos de entretenimento puro e duro, com a mais descontraída das latas; engendrar uns reality shows, pondo lá dentro uns cromos famosos (inventados à pressão) dispostos a deixar a dignidade à porta e a fazer umas piruetas para entreter a malta lá em casa; seria importante ter uma apresentadora frenética e histérica, que passasse o programa inteiro a gritar boçalidades mais alto do que a lei do ruído permite; conceber um programa matinal muito, muito colorido, com um apresentador também muito colorido, enérgico, a transbordar felicidade e que falasse pelos cotovelos, mas, condição fundamental, que não tivesse nada para dizer. No fundo, ter uma programação que não saísse disso mesmo: do fundo.

Ora, como toda a gente sabe, é esta a estratégia da TVI. Ao contrário da SIC e da RTP (principalmente esta última), cujas direcções de programação ainda vão tendo algum decoro, o director da TVI não se deixou levar por esta – direi – fraqueza. Fiel seguidor do adágio “desce o nível da decência e subirás na audiência”, JEM logrou chegar ao topo da pirâmide. O que, à partida, parece um contra-senso, é, na realidade, a coisa mais óbvia. Enveredando pelo caminho da descida (às vezes vertiginosa) da qualidade dos programas, muitos deles medíocres e a roçar o indecente, e aproveitando a tendência voyeurística do telespectador (coisa, aliás, que JEM conhece como ninguém), depressa o canal se instalou no topo do ranking.
Não vejo, portanto, onde é que está o mérito. JEM fez exactamente aquilo que não se espera de um imaginativo e rigoroso director de um canal de televisão. Escolheu o caminho mais fácil. Assim também eu.
E, já agora, se a RTP1 foi eleita pela mesma revista a melhor estação generalista, porque não atribuir o prémio "personalidade do ano" ao seu director?
Uma outra coisa me ocorre. No fundo (peço desculpa por insistir nesta expressão), a TVI não é um canal generalista. É mais uma espécie de “canal temático de entretenimento”, como diz no Público de hoje uma investigadora de ciências da comunicação na Universidade do Minho, Felisbela Lopes, a propósito da estreia do novo reality show da estação de Queluz. Eu é que não apanho esse comboio.

sábado, 13 de maio de 2006

Insultos grátis

Prefiro os insultos gratuitos.
Era o que faltava ser insultado e, ainda por cima, ter que pagar.



A crucificação.

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Sigmund Freud



Freud nasceu há 150 anos.

Pneumáticos



Michelin, um pneu mítico.

sábado, 6 de maio de 2006

Afinal havia outro...



Se um Bush cara de pau já é mau, dois Bushs passa das marcas.
Descubram as diferenças. E, já agora, leiam o que o Rui Tavares escreve sobre o assunto no Público de hoje. Página 5.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

O charco


Bem desconfiava que este país tinha ido ao charco.
Eis a prova.

E você? Em que século vive?


Isto sim, é que é tourada...

Numa vila ribatejana ocorreu uma “maratona de mais de 25 horas seguidas” de largadas de touros. Segundo a organização, a cargo da junta de freguesia, mais de 20 mil pessoas assistiram ao grande espectáculo. “Lamentavelmente”, uma pessoa morreu, outra feriu-se com gravidade e seis só ligeiramente. De acordo com o presidente da junta, “tudo estava preparado, em termos de segurança e logística”. Dois médicos e várias equipas de bombeiros. E “foram lançados vários alertas, através da aparelhagem sonora, para os cuidados a ter com os touros”. “Mas era muita gente e bastou uma distracção”. “Foi uma colhida fatal” disse o presidente. Se calhar, as vítimas caminhavam tranquilamente distraídas naquele belo fim de tarde, quando subitamente, são abalroadas por um touro vindo não se sabe de onde. Digo eu.
Há ainda um pormenor importantíssimo a acrescentar, no que se refere à segurança. “Os touros não estavam totalmente em pontas, tinham os cornos "afeitados” (cortados na ponta). Só por isto poupou-se uma data de vidas… Digo eu também.
Mas esta mancha (de sangue?) não afectou de modo algum o sucesso da festa. “O impacte mediático e a adesão das pessoas ultrapassou as expectativas”. Finalmente, o orgulhoso presidente da junta dá a última estocada: o “nome da vila” e as “suas tradições” foram divulgados, como se pretendia. Nem mais.

Esta história, verídica, só por si, já é ridícula.

Mas a festa poderia ter sido um êxito muitíssimo maior. Se tivessem morrido umas seis ou sete pessoas, se houvesse uma dúzia de feridos graves e uma centena com alguns arranhões ligeiros, aí sim, seria uma festa memorável. E se alguns touros tivessem penetrado em ruas não autorizadas, varrendo a turba como um tsunami, muito melhor seria.

Acham horroroso? Na verdade é este tipo de animação que o povo procura. Vai na expectativa de ver um ou mais desgraçados a serem colhidos pelos cornos de um touro. É isso que importa. Ver sangue. E cheirá-lo.
Esta é exactamente a mesma gentinha que pára nas auto-estradas quando há acidentes só para ver o espectáculo. Causando filas intermináveis de automóveis. E mais acidentes. É aquela multidão que se põe, histérica, à porta dos tribunais, prontinha a chacinar o presumível culpado de um crime qualquer. Assim as autoridades deixassem. É a mesma que se aglomera para ver – com os próprios olhos – o contorcido suicida que se atirou do prédio abaixo. Exemplos não faltam.

A estupidez não tem limites. Nem a época medieval. Porque é, de facto, na Idade Média que uma boa parte dos portugueses ainda vive. Orgulhosamente.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Ainda os “cães topo de gama”


"Au, au, au, au..."

Não sei se o Le Pen (ver texto anterior) é um cão ou se é o próprio. É que se for mesmo “a pessoa”, o Francisco Camacho pode estar tranquilo porque a simpatia que Briggite Bardot “nutre” por Le Pen é apenas um sentimento que “está reservado aos humanos”.

Cães topo de gama


O "lobo-da-alsácia" e a suas orelhas características

O director da NS’, Francisco Camacho, no editorial do último número da revista (o n.º 15) escreve sobre os animais.
Intriga-o “que se remeta para os animais sentimentos que deviam estar reservados aos humanos”. Diz ainda que “apesar de gostar de cães”, “desconfia” das pessoas que nutrem pelos seus animais sentimentos “confundíveis com o amor exacerbado”. E desconfia delas muito antes de saber da “paixão de Hitler pela cadela Blondie, ou da simpatia de Briggite Bardot por Le Pen”. Podemos estar descansados.
Mas para percebermos a sua "paixão" pelos cães, o editorialista fala-nos dos vários canídeos que teve ao longo da infância, e refere, com muito orgulho, as suas raças. O serra da estrela, o perdigueiro, o “feroz” lobo-da-alsácia, os três dogues alemães pretos...
Se pode ser estranho que haja quem jure amor eterno ao seu cão como se fosse ao marido ou à esposa, mais “intrigante” é gostar ou falar de animais como se fossem marcas de carros. O Francisco Camacho teve a amabilidade de nos falar dos seus Mercedes, dos seus BMW, ou dos seus Ferraris.

sábado, 22 de abril de 2006

Olha uma gaivota morta!


[Mátria a Mátria, óleo s/ tela, 1992]

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Olha quem fala


“Celebremos o 25 de Abril que trouxe direitos, liberdades e garantias para os portugueses. Repudiemos todos os ataques e violações destas mesmas liberdades, que se fizeram em nome do 25 de Abril.”
Alberto João Jardim
O Diabo, 18/04/2006

Dedicatória V



e finalmente tu
abominável público
tu essa estranha forma de vida
a ralé pública
a mó anárquica
a turba
a grande manada
a cornadura humana
tu abdominável público
não penses que te absolves
porque tu não pensas
o público não pensa
existe
o público gosta é de Auchwitz
e não gosta de pintura
nem de literatura
mas gosta da filha da vizinha
e de ir à bola
e de ir à merda
o público gosta da coisa pública
o público gosta de pêlos púbicos
o público não é pudico
o rubicundo público
o rechonchudo público
boçal
serôdio
ronceiro
bronco
obtuso

irra!
só de pensar nessa massa movediça
dá-se-me um arrepio na espinha

sábado, 15 de abril de 2006

Profissões de risco



Ser cartoonista e ilustrador há-de ser sempre uma profissão de risco.

sexta-feira, 14 de abril de 2006

Tolerância de ponto = Tolerância zero II

Um aspecto a acrescentar ao que disse há dois posts atrás: só falta saber se os deputados da Assembleia da República que se pisgaram mais cedo (não deixando de assinar o ponto, no entanto) também se metem nas tascas a sorver umas cervejolas. Afinal não serão eles um retrato fiel da sociedade?

O velhinho e saudoso Pacman

E agora, um intervalo para relaxar... e matar saudades.

Tolerância de ponto = tolerância zero


Só agora começo a perceber. Uma das “estratégias” mais brilhantes do governo é a tolerância de ponto aliada às operações da Brigada de Trânsito. Senão veja-se: se há um feriado à sexta-feira (se for religioso, melhor), oferece-se ao “abnegado” funcionário público a tarde do dia anterior como bónus. Ora, como é sabido, uma grande fatia dos trabalhadores, com a tarde livre, enfia-se nos cafés e nas tascas a actualizar as conversas futebolísticas e a emborcar uns valentes copos. No sinuoso caminho para casa, o indivíduo é interceptado pela BT, que lhe “prescreve” a respectiva coima, depois de o ter convidado a soprar no balão.
Como consequência natural, os cofres do Estado engordam. E ninguém dá por isso.

terça-feira, 11 de abril de 2006

Dedicatória IV


"To be or not to be..."

agora vós gentalha do teatro
actores autores contra-regras
seres sem questão
personagens sem carácter
sem cafeína sem corantes
actores pseudofuturistas
detractores em todas as directrizes
malabaristas de Shakespeare
que já nada sois como dantes
nem trágicos nem comediantes

ó marionetas cambaleantes
camaleões comilões de vós próprios
insectos suicidas insecticidas
omeletas vicentinas
ó figurantes fedorentos
ó talentos parcos
tirai-me essas patas do palco
que não me deixais ver o cenário

ó tagarelas histéricos
ó figuras históricas
afónicas histriónicas
ó charlatães acrobáticos
trajados de metáforas de actores
de imitadores da vida
inventores da história
escola de escórias
impostores da memória
que buscais a glória tarefa inglória
porque ninguém vos quer ouvir ou ver
teatro só se for o da guerra
esse sim que é teatro

mas vós actores e actrizes
vós artroses e varizes
fechai vossas bocas
baixai o pano
ponto parágrafo
que se me arrepia a espinha
irra!

Pergunto-me se Deus ainda não criou mais nenhuma mulher...



Um exemplo de como esta língua (o português, entenda-se) soa muito bem, é harmoniosa e tem swing, é o disco da Paula Oliveira e do contrabaixista Bernardo Moreira, Lisboa que Adormece. Uma mão cheia de standards da música portuguesa em versão jazzística. Tudo o que está lá é bom: a voz, as melodias, os arranjos, as letras.

Day dream?


Comprei o último disco da Jacinta. Não estou arrependido. Mas a rapariga teve muito má ideia em querer cantar alguns standards em português (pelos vistos, por sugestão do saxofonista Greg Osby). Se a intenção de Tiago Torres da Silva (o letrista) de manter a sonoridade original, até foi bem conseguida (p.e. I’m beginning to see the light / Meu amigo decide lá), já não se pode dizer o mesmo do resultado final. As letras são quase sempre fracas. E se é para manter a sonoridade então que se cante em inglês.
Mas não se pense que a língua pátria me desagrada. Tem é que haver alguma sensatez.
O excelente arranjo da Canção de Embalar, de José Afonso, engendrado por Greg Osby, é outra conversa. Provavelmente a melhor faixa do cd. E a melodia, como se sabe, é belíssima, sendo que o poema não lhe fica atrás.
Se a música permite uma grande liberdade de interpretação, de recriação (os standards são um poço sem fundo, como diz José Duarte), a letra (a poesia?), exige, a meu ver, alguns cuidados.

Mourinho e o H5N1


1. Despreocupado
2. Apreensivo
3. Preocupado e prevenido

Concordo inteiramente com as declarações de José Mourinho:
mais preocupante do que o Manchester é a gripe das aves.
Eu também já comprei a minha máscara.

sábado, 8 de abril de 2006



Isto não é uma representação de Maomé porque, segundo a lei islâmica, é interdita qualquer imagem ou representação gráfica do profeta.
Na imagem, pode ver-se – nitidamente – uma abóbora, um camelo, duas serpentes decapitadas e algumas burkas. Debaixo das burkas estão mulheres. As mulheres não se vêem porque, segundo a lei islâmica, há um sem-número de interdições especialmente “dedicadas” ao sexo feminino, cuja lista não caberia nas páginas deste blogue.

Dedicatória III



ó romancistas parasitas da escrita
ó poetas piegas
ó sonetos medidos ao milímetro
«ó alma minha que não sossegas»
ó carneiros barrigudos e pessimistas
que passeais os vossos cornos intelectuais
pelas ruas de Paris
ulálá

e vós saramagos seres amargos
que paristes ensaios invisíveis
onde pusestes os pontos que não os vejo?
ó portugas apessoados que fingis que fingis

o que deveras fingis
ó portugas imbecis que fugis
da literatura como o diabo da cruz
ai Jesus ai Jesus
que se me arrepia a espinha

ó poetas fatalistas
ó boémios fadistas
ó guerreiros de junco
ó nações ó canhões
ó metralhadoras da língua
ó antiaéreas de quintal
ó camelos de perdição
ó triste odisseia dos canaviais
ó Espanca sem esperança
morra dantes ou depois
ó convencidos da vida
que pegais na pena
como se fosse a própria pila
ó alma de pedreiros
ó poetas mirolhos de rima luzidia
que produzistes camiões de versos
homéricos e pindéricos
e que cantarolastes o amor e o mar
como se o amor e o mar
precisassem de ser cantados

ó camélias alexandrinas
ó comédias divinas
ó inclassificáveis mestres clássicos
de fin-de-siècle
infames mascadores de chiclete
ardei nas chamas que vos chamam
vós e a vossa escrita janota
morrei
morrei nas profundezas dos infernos
irra! que se me arrepia a espinha

Eu mexia, tu mexias, ele mexia...



Um retrato "não autorizado" de Pedro Mexia, feito para uma matéria nunca concretizada na Periférica.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Dedicatória II



e vós artistas plásticos
almas alucinadas e excêntricas
hipérboles mirabolantes

ó que espirais entediantes
naturezas mortas
pincéis de marta
pastéis de nada
bordéis da nata

ó tresloucadas cabeças as vossas
que só me apetece chamar-vos
alienígenas terráqueos
batráquios de paleta
pelintras de cavalete

ó azuis do ultramar
ó vermelhões franceses
não me sujeis o chão de tinta
tanta tinta assassinada
estou-me nas tintas para todos
os vangogues pernetas das orelhas
impressionistas impostores

e vós surrealistas sobreruralistas
quem vos chamou? de onde vindes?
dali?
pois voltai para lá
voltai para a realidade
fica-vos tão bem a realidade

ó retratistas impertigados
ó trinchas rabugentas
ó cubistas de cabeça quadrada
ó clubistas do forrete
ó ratazanas bolorentas
que vos tendes como vanguardistas
mas não sois mais do que umas
míseras térmitas de museu
ainda por cima de arte sacra
arte sacra criaturas
irra! que se me arrepia a espinha


Males de urina



"O senhor Adalberto acabou de dar os bons-dias à dona Ernestina. Saíra para comprar cigarros e, na volta, encontrou a hospedeira sentada, no corredor, a fazer renda. Agora, no quarto, o senhor Adalberto é invadido por uma importuna vontade de urinar. Sucede, no entanto, que um pudor imbecil, um cálculo dissimulado, o impede de ir à casa de banho. Ver-se-á coagido a enfrentar outra vez aquela mulher, e saudá-la novamente parece-lhe uma atitude insana. Por outro lado, enclausurar-se num mutismo franzido talvez revele descortesia na postura. Finalmente, libertar um dito espontâneo (sobre o tempo ou a saúde) é incompatível com o seu temperamento ponderado, muito sucinto no tocante àquelas palavras que fazem pontes levadiças entre os seres humanos." José Ferreira Borges
O texto completo pode encontrar-se no n.º 4 da Periférica.

Colecção de peles de Fátima Lopes (versão a cores)


Penso que esta versão a cores ilustra melhor a beleza e o style do desenho desta criadora.
Fátima Lopes não pára de nos surpreender. Se bem que, para o meu gosto, este vestido é demasiado volumoso. Mas o vermelho carregado fica-lhe "a matar"...

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Abruptamontes



Este é o retrato ficcionado do autor de um dos blogues portugueses mais visitado.
Digamos que é uma espécie de abruptamontes da cena bloguista. E não só.
Alvíssaras a quem o identificar.

Dedicatória I



Ó músicos narcisistas e languinhentos
intérpretes em decomposição
ó filhos de pautas diminutas
fazei-me o obséquio de parar de tocar
de tanger essas guitarras gementes
porque me tirais da compostura
calai-me esses instrumentos
de uma vez por todas
que ainda me dá uma síncope

ó batutas rambanas
ó comparsas ternários
ó sinfonias rolantes
ó adoradores de Bach que bebeis em sua honra
aduladores de barba de três dias
moldadores de barro de Barcelos
ocarinas em forma de galo
jarros que enfeitais as montras
charros de bebedeiras monstras

ó fígaros da púcara
ó plágios de domingo
ó fantasmas tenores da ópera
ó solistas ó sulistas «ó sole mio»
ó bitolas de Beethoven
noctívagos de Chopin
monges chupistas de Béla Bartók

ó Béla Bar toca
toca a marcha do defunto
porque o que eu quero
é que essa cambada de melros
tocadores de sinfonietas
se extinga molto presto
nem mais um andamento
nem allegro nem pianissimo
irra! que se me arrepia a espinha

Tostas mistas



Marxistas? Leninistas? Maoísmistas? Electricistas? Taxistas?
Não. Pianistas, guitarristas, baixistas e bateristas. E malucos.
Da esquerda para a direita: Manuel Guimarães, Paulo Araújo, Domingos Teixeira, Nelo Amaral e Vítor Lamas.

Regresso ao futuro


Acredite-se ou não, nesta foto está apenas uma pessoa. Só que com idades diferentes.
Como se deu este “encontro”, não se sabe. Mistério. Os tons sépia da foto dão-nos a impressão de que a pessoa poderá ter regressado ao passado (para se encontrar com ela própria?). Mas a cascata que surge ao fundo faz lembrar a zona da Expo, em Lisboa. Portanto, terá viajado, quando criança, até ao futuro. Ou até ao presente, dependendo da persperctiva. Mas isto são apenas palpites.

Talvez o autor da foto pudesse esclarecer...