quinta-feira, 6 de abril de 2006

Dedicatória II



e vós artistas plásticos
almas alucinadas e excêntricas
hipérboles mirabolantes

ó que espirais entediantes
naturezas mortas
pincéis de marta
pastéis de nada
bordéis da nata

ó tresloucadas cabeças as vossas
que só me apetece chamar-vos
alienígenas terráqueos
batráquios de paleta
pelintras de cavalete

ó azuis do ultramar
ó vermelhões franceses
não me sujeis o chão de tinta
tanta tinta assassinada
estou-me nas tintas para todos
os vangogues pernetas das orelhas
impressionistas impostores

e vós surrealistas sobreruralistas
quem vos chamou? de onde vindes?
dali?
pois voltai para lá
voltai para a realidade
fica-vos tão bem a realidade

ó retratistas impertigados
ó trinchas rabugentas
ó cubistas de cabeça quadrada
ó clubistas do forrete
ó ratazanas bolorentas
que vos tendes como vanguardistas
mas não sois mais do que umas
míseras térmitas de museu
ainda por cima de arte sacra
arte sacra criaturas
irra! que se me arrepia a espinha