quarta-feira, 19 de abril de 2006

Dedicatória V



e finalmente tu
abominável público
tu essa estranha forma de vida
a ralé pública
a mó anárquica
a turba
a grande manada
a cornadura humana
tu abdominável público
não penses que te absolves
porque tu não pensas
o público não pensa
existe
o público gosta é de Auchwitz
e não gosta de pintura
nem de literatura
mas gosta da filha da vizinha
e de ir à bola
e de ir à merda
o público gosta da coisa pública
o público gosta de pêlos púbicos
o público não é pudico
o rubicundo público
o rechonchudo público
boçal
serôdio
ronceiro
bronco
obtuso

irra!
só de pensar nessa massa movediça
dá-se-me um arrepio na espinha