quinta-feira, 6 de abril de 2006

Males de urina



"O senhor Adalberto acabou de dar os bons-dias à dona Ernestina. Saíra para comprar cigarros e, na volta, encontrou a hospedeira sentada, no corredor, a fazer renda. Agora, no quarto, o senhor Adalberto é invadido por uma importuna vontade de urinar. Sucede, no entanto, que um pudor imbecil, um cálculo dissimulado, o impede de ir à casa de banho. Ver-se-á coagido a enfrentar outra vez aquela mulher, e saudá-la novamente parece-lhe uma atitude insana. Por outro lado, enclausurar-se num mutismo franzido talvez revele descortesia na postura. Finalmente, libertar um dito espontâneo (sobre o tempo ou a saúde) é incompatível com o seu temperamento ponderado, muito sucinto no tocante àquelas palavras que fazem pontes levadiças entre os seres humanos." José Ferreira Borges
O texto completo pode encontrar-se no n.º 4 da Periférica.