segunda-feira, 22 de maio de 2006

Equívocos ou distracções?

O Público de domingo trás para a primeira página a notícia de que "são sete os animais que forçaram a construção de um viaduto de um quilómetro em Vila Pouca de Aguiar, na A24", cujo título é «Alcateia de lobos obriga a gastar mais 100 milhões em auto-estrada».
Sobre isto, apetece-me dizer duas coisas.
A primeira: o título não só é sensacionalista como é absolutamente despropositado. Não se trata, obviamente, de proteger estes sete animais em concreto, mas sim assegurar a sobrevivência da espécie, salvaguardando todo um ecossistema, do qual o lobo faz parte. O que é substancialmente diferente (sobre o assunto, o Rui A. Araújo escreve isto)
A segunda: a determinada altura, diz o autarca de Vila Pouca de Aguiar que “está por provar cientificamente” que o Fojo do Lobo “é sítio de procriação dos animais". Lobos naquela zona, népia. Ora, este e um argumento fraco e descabido, mas que é usado com alguma frequência, não só pelos autarcas, como por uma parte da população. Com a mesma ligeireza, já ouvi precisamente o argumento contrário. Quando, por vezes, aparecem algumas ovelhas mortas na serra, de imediato vêm a terreiro asseverar com toda e veemência que foram os lobos os responsáveis. E não esqueçamos que ainda há o subsídio por danos causados pelo afamado bicho.
E, se a zona em questão fosse uma reserva de caça, qual seria a atitude dos contestatários do viaduto?