quarta-feira, 26 de abril de 2006

Ainda os “cães topo de gama”


"Au, au, au, au..."

Não sei se o Le Pen (ver texto anterior) é um cão ou se é o próprio. É que se for mesmo “a pessoa”, o Francisco Camacho pode estar tranquilo porque a simpatia que Briggite Bardot “nutre” por Le Pen é apenas um sentimento que “está reservado aos humanos”.

Cães topo de gama


O "lobo-da-alsácia" e a suas orelhas características

O director da NS’, Francisco Camacho, no editorial do último número da revista (o n.º 15) escreve sobre os animais.
Intriga-o “que se remeta para os animais sentimentos que deviam estar reservados aos humanos”. Diz ainda que “apesar de gostar de cães”, “desconfia” das pessoas que nutrem pelos seus animais sentimentos “confundíveis com o amor exacerbado”. E desconfia delas muito antes de saber da “paixão de Hitler pela cadela Blondie, ou da simpatia de Briggite Bardot por Le Pen”. Podemos estar descansados.
Mas para percebermos a sua "paixão" pelos cães, o editorialista fala-nos dos vários canídeos que teve ao longo da infância, e refere, com muito orgulho, as suas raças. O serra da estrela, o perdigueiro, o “feroz” lobo-da-alsácia, os três dogues alemães pretos...
Se pode ser estranho que haja quem jure amor eterno ao seu cão como se fosse ao marido ou à esposa, mais “intrigante” é gostar ou falar de animais como se fossem marcas de carros. O Francisco Camacho teve a amabilidade de nos falar dos seus Mercedes, dos seus BMW, ou dos seus Ferraris.

sábado, 22 de abril de 2006

Olha uma gaivota morta!


[Mátria a Mátria, óleo s/ tela, 1992]

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Olha quem fala


“Celebremos o 25 de Abril que trouxe direitos, liberdades e garantias para os portugueses. Repudiemos todos os ataques e violações destas mesmas liberdades, que se fizeram em nome do 25 de Abril.”
Alberto João Jardim
O Diabo, 18/04/2006

Dedicatória V



e finalmente tu
abominável público
tu essa estranha forma de vida
a ralé pública
a mó anárquica
a turba
a grande manada
a cornadura humana
tu abdominável público
não penses que te absolves
porque tu não pensas
o público não pensa
existe
o público gosta é de Auchwitz
e não gosta de pintura
nem de literatura
mas gosta da filha da vizinha
e de ir à bola
e de ir à merda
o público gosta da coisa pública
o público gosta de pêlos púbicos
o público não é pudico
o rubicundo público
o rechonchudo público
boçal
serôdio
ronceiro
bronco
obtuso

irra!
só de pensar nessa massa movediça
dá-se-me um arrepio na espinha

sábado, 15 de abril de 2006

Profissões de risco



Ser cartoonista e ilustrador há-de ser sempre uma profissão de risco.

sexta-feira, 14 de abril de 2006

Tolerância de ponto = Tolerância zero II

Um aspecto a acrescentar ao que disse há dois posts atrás: só falta saber se os deputados da Assembleia da República que se pisgaram mais cedo (não deixando de assinar o ponto, no entanto) também se metem nas tascas a sorver umas cervejolas. Afinal não serão eles um retrato fiel da sociedade?

O velhinho e saudoso Pacman

E agora, um intervalo para relaxar... e matar saudades.

Tolerância de ponto = tolerância zero


Só agora começo a perceber. Uma das “estratégias” mais brilhantes do governo é a tolerância de ponto aliada às operações da Brigada de Trânsito. Senão veja-se: se há um feriado à sexta-feira (se for religioso, melhor), oferece-se ao “abnegado” funcionário público a tarde do dia anterior como bónus. Ora, como é sabido, uma grande fatia dos trabalhadores, com a tarde livre, enfia-se nos cafés e nas tascas a actualizar as conversas futebolísticas e a emborcar uns valentes copos. No sinuoso caminho para casa, o indivíduo é interceptado pela BT, que lhe “prescreve” a respectiva coima, depois de o ter convidado a soprar no balão.
Como consequência natural, os cofres do Estado engordam. E ninguém dá por isso.

terça-feira, 11 de abril de 2006

Dedicatória IV


"To be or not to be..."

agora vós gentalha do teatro
actores autores contra-regras
seres sem questão
personagens sem carácter
sem cafeína sem corantes
actores pseudofuturistas
detractores em todas as directrizes
malabaristas de Shakespeare
que já nada sois como dantes
nem trágicos nem comediantes

ó marionetas cambaleantes
camaleões comilões de vós próprios
insectos suicidas insecticidas
omeletas vicentinas
ó figurantes fedorentos
ó talentos parcos
tirai-me essas patas do palco
que não me deixais ver o cenário

ó tagarelas histéricos
ó figuras históricas
afónicas histriónicas
ó charlatães acrobáticos
trajados de metáforas de actores
de imitadores da vida
inventores da história
escola de escórias
impostores da memória
que buscais a glória tarefa inglória
porque ninguém vos quer ouvir ou ver
teatro só se for o da guerra
esse sim que é teatro

mas vós actores e actrizes
vós artroses e varizes
fechai vossas bocas
baixai o pano
ponto parágrafo
que se me arrepia a espinha
irra!

Pergunto-me se Deus ainda não criou mais nenhuma mulher...



Um exemplo de como esta língua (o português, entenda-se) soa muito bem, é harmoniosa e tem swing, é o disco da Paula Oliveira e do contrabaixista Bernardo Moreira, Lisboa que Adormece. Uma mão cheia de standards da música portuguesa em versão jazzística. Tudo o que está lá é bom: a voz, as melodias, os arranjos, as letras.

Day dream?


Comprei o último disco da Jacinta. Não estou arrependido. Mas a rapariga teve muito má ideia em querer cantar alguns standards em português (pelos vistos, por sugestão do saxofonista Greg Osby). Se a intenção de Tiago Torres da Silva (o letrista) de manter a sonoridade original, até foi bem conseguida (p.e. I’m beginning to see the light / Meu amigo decide lá), já não se pode dizer o mesmo do resultado final. As letras são quase sempre fracas. E se é para manter a sonoridade então que se cante em inglês.
Mas não se pense que a língua pátria me desagrada. Tem é que haver alguma sensatez.
O excelente arranjo da Canção de Embalar, de José Afonso, engendrado por Greg Osby, é outra conversa. Provavelmente a melhor faixa do cd. E a melodia, como se sabe, é belíssima, sendo que o poema não lhe fica atrás.
Se a música permite uma grande liberdade de interpretação, de recriação (os standards são um poço sem fundo, como diz José Duarte), a letra (a poesia?), exige, a meu ver, alguns cuidados.

Mourinho e o H5N1


1. Despreocupado
2. Apreensivo
3. Preocupado e prevenido

Concordo inteiramente com as declarações de José Mourinho:
mais preocupante do que o Manchester é a gripe das aves.
Eu também já comprei a minha máscara.

sábado, 8 de abril de 2006



Isto não é uma representação de Maomé porque, segundo a lei islâmica, é interdita qualquer imagem ou representação gráfica do profeta.
Na imagem, pode ver-se – nitidamente – uma abóbora, um camelo, duas serpentes decapitadas e algumas burkas. Debaixo das burkas estão mulheres. As mulheres não se vêem porque, segundo a lei islâmica, há um sem-número de interdições especialmente “dedicadas” ao sexo feminino, cuja lista não caberia nas páginas deste blogue.

Dedicatória III



ó romancistas parasitas da escrita
ó poetas piegas
ó sonetos medidos ao milímetro
«ó alma minha que não sossegas»
ó carneiros barrigudos e pessimistas
que passeais os vossos cornos intelectuais
pelas ruas de Paris
ulálá

e vós saramagos seres amargos
que paristes ensaios invisíveis
onde pusestes os pontos que não os vejo?
ó portugas apessoados que fingis que fingis

o que deveras fingis
ó portugas imbecis que fugis
da literatura como o diabo da cruz
ai Jesus ai Jesus
que se me arrepia a espinha

ó poetas fatalistas
ó boémios fadistas
ó guerreiros de junco
ó nações ó canhões
ó metralhadoras da língua
ó antiaéreas de quintal
ó camelos de perdição
ó triste odisseia dos canaviais
ó Espanca sem esperança
morra dantes ou depois
ó convencidos da vida
que pegais na pena
como se fosse a própria pila
ó alma de pedreiros
ó poetas mirolhos de rima luzidia
que produzistes camiões de versos
homéricos e pindéricos
e que cantarolastes o amor e o mar
como se o amor e o mar
precisassem de ser cantados

ó camélias alexandrinas
ó comédias divinas
ó inclassificáveis mestres clássicos
de fin-de-siècle
infames mascadores de chiclete
ardei nas chamas que vos chamam
vós e a vossa escrita janota
morrei
morrei nas profundezas dos infernos
irra! que se me arrepia a espinha

Eu mexia, tu mexias, ele mexia...



Um retrato "não autorizado" de Pedro Mexia, feito para uma matéria nunca concretizada na Periférica.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Dedicatória II



e vós artistas plásticos
almas alucinadas e excêntricas
hipérboles mirabolantes

ó que espirais entediantes
naturezas mortas
pincéis de marta
pastéis de nada
bordéis da nata

ó tresloucadas cabeças as vossas
que só me apetece chamar-vos
alienígenas terráqueos
batráquios de paleta
pelintras de cavalete

ó azuis do ultramar
ó vermelhões franceses
não me sujeis o chão de tinta
tanta tinta assassinada
estou-me nas tintas para todos
os vangogues pernetas das orelhas
impressionistas impostores

e vós surrealistas sobreruralistas
quem vos chamou? de onde vindes?
dali?
pois voltai para lá
voltai para a realidade
fica-vos tão bem a realidade

ó retratistas impertigados
ó trinchas rabugentas
ó cubistas de cabeça quadrada
ó clubistas do forrete
ó ratazanas bolorentas
que vos tendes como vanguardistas
mas não sois mais do que umas
míseras térmitas de museu
ainda por cima de arte sacra
arte sacra criaturas
irra! que se me arrepia a espinha


Males de urina



"O senhor Adalberto acabou de dar os bons-dias à dona Ernestina. Saíra para comprar cigarros e, na volta, encontrou a hospedeira sentada, no corredor, a fazer renda. Agora, no quarto, o senhor Adalberto é invadido por uma importuna vontade de urinar. Sucede, no entanto, que um pudor imbecil, um cálculo dissimulado, o impede de ir à casa de banho. Ver-se-á coagido a enfrentar outra vez aquela mulher, e saudá-la novamente parece-lhe uma atitude insana. Por outro lado, enclausurar-se num mutismo franzido talvez revele descortesia na postura. Finalmente, libertar um dito espontâneo (sobre o tempo ou a saúde) é incompatível com o seu temperamento ponderado, muito sucinto no tocante àquelas palavras que fazem pontes levadiças entre os seres humanos." José Ferreira Borges
O texto completo pode encontrar-se no n.º 4 da Periférica.

Colecção de peles de Fátima Lopes (versão a cores)


Penso que esta versão a cores ilustra melhor a beleza e o style do desenho desta criadora.
Fátima Lopes não pára de nos surpreender. Se bem que, para o meu gosto, este vestido é demasiado volumoso. Mas o vermelho carregado fica-lhe "a matar"...

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Abruptamontes



Este é o retrato ficcionado do autor de um dos blogues portugueses mais visitado.
Digamos que é uma espécie de abruptamontes da cena bloguista. E não só.
Alvíssaras a quem o identificar.

Dedicatória I



Ó músicos narcisistas e languinhentos
intérpretes em decomposição
ó filhos de pautas diminutas
fazei-me o obséquio de parar de tocar
de tanger essas guitarras gementes
porque me tirais da compostura
calai-me esses instrumentos
de uma vez por todas
que ainda me dá uma síncope

ó batutas rambanas
ó comparsas ternários
ó sinfonias rolantes
ó adoradores de Bach que bebeis em sua honra
aduladores de barba de três dias
moldadores de barro de Barcelos
ocarinas em forma de galo
jarros que enfeitais as montras
charros de bebedeiras monstras

ó fígaros da púcara
ó plágios de domingo
ó fantasmas tenores da ópera
ó solistas ó sulistas «ó sole mio»
ó bitolas de Beethoven
noctívagos de Chopin
monges chupistas de Béla Bartók

ó Béla Bar toca
toca a marcha do defunto
porque o que eu quero
é que essa cambada de melros
tocadores de sinfonietas
se extinga molto presto
nem mais um andamento
nem allegro nem pianissimo
irra! que se me arrepia a espinha

Tostas mistas



Marxistas? Leninistas? Maoísmistas? Electricistas? Taxistas?
Não. Pianistas, guitarristas, baixistas e bateristas. E malucos.
Da esquerda para a direita: Manuel Guimarães, Paulo Araújo, Domingos Teixeira, Nelo Amaral e Vítor Lamas.

Regresso ao futuro


Acredite-se ou não, nesta foto está apenas uma pessoa. Só que com idades diferentes.
Como se deu este “encontro”, não se sabe. Mistério. Os tons sépia da foto dão-nos a impressão de que a pessoa poderá ter regressado ao passado (para se encontrar com ela própria?). Mas a cascata que surge ao fundo faz lembrar a zona da Expo, em Lisboa. Portanto, terá viajado, quando criança, até ao futuro. Ou até ao presente, dependendo da persperctiva. Mas isto são apenas palpites.

Talvez o autor da foto pudesse esclarecer...

Sombras de fogo

terça-feira, 4 de abril de 2006

Um mundo quase perfeito